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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Meu Orgulho agora é você

Saibam eu consigo
Subestimaram-me, duvidaram da minha capacidade de escrever
De organizar as palavras e nelas plantar sentidos diferentes
De como posso induzir ideias por meio das letras
E transmitir sentimento através de combinações de fonemas.

Saibam que eu consigo, tanto conheci e escutei
Tanto pra falar e mostrar
Não diria eu experiente ainda
Mas em continuo experimento

Não sei se devo então me vangloriar de tal mérito
Não vejo dificuldade neste ato
Escrevo o que penso, o que vejo e sinto
E quem é que não pensa, vê e sente?

Saibam que eu tento, uma letra de cada vez
Silaba por silaba, até se tornarem textos
Talvez um dia livros e assim gradativamente
Esperando só pelo momento de fazer-lhes escrever também
Clara Alves


"Ela é o cara

Ela é de circo,
E sabe o que falar.
Sempre se pode contar

É clara mais é escura,
É alma pura
Posso te apresentar.

Linda e maravilhosa,
Seus cachos brilham sem parar.
Coração de bondade,
Recheio melhor que chocolate

Sinceridade além de tudo.
Mulher exemplo
Posso te afirmar.

Thiago Dias Corrêa."

Eu consegui, e sim, estou orgulhosa

domingo, 13 de fevereiro de 2011

micro conto.

A porta se fecha. E mais do que o muro da casa os separam.


Mais longe um pouco surge comentários:
-Se lembra quando agente chegou um dia acreditar?
-Que tudo era pra sempre?
-Sem saber que o pra sempre, sempre acaba.

Versos Roxos e Vermelhos

Então me diz que está mudando
Quando na verdade esse tempo já passou
Usa o gerúndio como se ainda estivesse começando
Sabe da realidade, não há esperanças, já acabou.

Não pessa para voltar
Pois ontem pediu para ir
Vou atrás de qualquer outro par
Agora é minha vez, agora vou partir.

Não minta, meu querido
Seja forte como ontem
Não diga estar arrependido
Do peso da palma que contem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Me identifiquei

Implicante Ana Carolina
Hoje eu levantei com sono com vontade de brigar
Eu tô maneiro pra bater pra revidar provocação
Olhei no espelho meu cabelo e tudo fora do lugar
Vê se não enche não me encosta

Tô bravo que nem leão
E não pise no meu calo que eu te entorno feito água

E te jogo pelo ralo
Hoje você deu azar

De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas
Dentro da sua cabeça

Hoje eu vou mudar o teu destino

Te passar num pente fino
Então desfaça sua trança
Eu que sou tão inconstante
E você tão permanente
Com a gente tudo enrolado
Não adianta creme rinse
Corta as pontas da sua mágoa
Que hoje eu tô meio implicante
Hoje você deu azar

De que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas
Dentro da sua cabeça


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Gradativamente dentro de mim.

Surgiu sem querer, de onde nunca tivesse imaginado que apareceria,
O que era apenas sombras de imagens maiores, apagado e não reconhecido.
Hoje é explicito e de tamanho assustador.
Cada vez mais difícil de ser escondido, já que agora brilha como um sinalizador.

Só que apesar de sua imensidão.
Consegue até então se manter escondido nas mais profundas camadas de mim.
Talvez eu pequeno, seja lá dentro, grande pra caber tal tamanho.
Até que vaze mostrando a verdade que guardo,

Na esperança de que na fonte em que essa dimensão surgiu,
Tenha também mesmo que pequeno e ainda insignificante,
Rastros daquilo que em mim cresce sem explicação

domingo, 30 de janeiro de 2011

Soneto puro


Tu carregas, meu amor
O peso de ser escura
Sofrer e sentir a dor
De quem não julgam pura.

Mas amo te por inteiro
Quando possuo suas curvas
Quando do seu cabelo sinto cheiro
Redondo como uvas.

Tudo que mais desejo
É que pudesses, minha querida
Sentir apenas o peso do meu beijo.

E farei o que puder
Para fazer da sua negra vida
A mais pura vida de mulher.





Michelle Obama(exemplo)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Escolha no que acreditar

Ouvi um dia de repente, como quem não queria nada.

Uma tarde de família, que se sucede aos domingos. Costume antigo, seguido sem problemas ou pressão. Parentes reunidos, panelas já vazias em contradição com a pilha de louça. Criança: debruçava em cima de pedaços de melancias, vestes manchadas de um rosa singelo, um caldo doce no chão que dividíamos com nossas cadelas. E assim na alegria ingénua da infância aproveitávamos o domingo.

Adulto: cada qual me sua posição própria e eterna. Havia aquele que cozinhava. Este era reconhecido pelo pano de prato bordado jogado no pescoço, como um crachá ou um cartão de identificação "cozinheiro". Haviam aqueles que se sentavam, e ali se mantinham sentados. Extremamente importantes, eram quem coordenavam as conversas, encontravam novos assuntos, sabiam de todos os boatos e, se necessário fosse, também os inventavam para não se manterem calados. Haviam aqueles inquietos, repetidamente davam ordens, sempre limpando algo ou alguém. Reclamavam do cansaço da semana mas nunca paravam para o merecido descanso. Talvez se descansassem não teriam do que reclamar e estariam novamente insatisfeitos. E assim na alegria extravasada de um copo de cerveja aproveitavam o domingo.

Sentada no chão, alisando uma filhote, ouvi de uma parente um tanto próxima algo que me intrigou. Na idade em que me apresentava nada significou, apenas o fato de ouvir pela primeira vez uma palavra que soava engraçado.

No meio de uma discussão de família um tanto polémica saiu uma frase que guardei até o dia em que pude intende-las, ou melhor, questiona-las. Guardei as palavras com carinho que saíram dos lábios de alguém que leva meus últimos nomes. Juntamente com o leve cheiro de álcool que senti, ouvi "Meus dois maiores ídolos foram homossexuais".

Não me lembro o contexto em que se encaixava a frase, consequentemente não sei o que se referia. Poderia quem sabe ser uma justificativa, onde alguém questionava uma opção sexual e em defesa foi apresentado seu talento. Como se não tivesse para eles problema ser homossexual já que eram talentosos. Ou talvez o problema foi a homossexualidade, e nem mesmo o talento os compensou como ser humano dentro de uma moral criada pela sociedade. Pior seria se fosse para afirmar que a atração pelo mesmo sexo não atrapalharia uma pessoa à ser talentosa. Quem sabe a crença, a vontade e o desejo de um individuo não os torna diferentes, podendo assim como outro qualquer chegar a glória, ser admirado e realizado.

Cabe a nós acreditar então, que Deus, para compensar a doença que nestes cresceu como uma anomalia humana que é o homossexualismo, deu-lhes talento.


Eu sinceramente, espero que não acreditemos.

Cássia Rejane Eller (1962-2001)
Renato Manfredini Júnior"Russo" (1960-1996)