sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Gradativamente dentro de mim.
O que era apenas sombras de imagens maiores, apagado e não reconhecido.
Hoje é explicito e de tamanho assustador.
Cada vez mais difícil de ser escondido, já que agora brilha como um sinalizador.
Só que apesar de sua imensidão.
Consegue até então se manter escondido nas mais profundas camadas de mim.
Talvez eu pequeno, seja lá dentro, grande pra caber tal tamanho.
Até que vaze mostrando a verdade que guardo,
Na esperança de que na fonte em que essa dimensão surgiu,
Tenha também mesmo que pequeno e ainda insignificante,
Rastros daquilo que em mim cresce sem explicação
domingo, 30 de janeiro de 2011
Soneto puro

Tu carregas, meu amor
O peso de ser escura
Sofrer e sentir a dor
De quem não julgam pura.
Mas amo te por inteiro
Quando possuo suas curvas
Quando do seu cabelo sinto cheiro
Redondo como uvas.
Tudo que mais desejo
É que pudesses, minha querida
Sentir apenas o peso do meu beijo.
E farei o que puder
Para fazer da sua negra vida
A mais pura vida de mulher.
Michelle Obama(exemplo)
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Escolha no que acreditar
Adulto: cada qual me sua posição própria e eterna. Havia aquele que cozinhava. Este era reconhecido pelo pano de prato bordado jogado no pescoço, como um crachá ou um cartão de identificação "cozinheiro". Haviam aqueles que se sentavam, e ali se mantinham sentados. Extremamente importantes, eram quem coordenavam as conversas, encontravam novos assuntos, sabiam de todos os boatos e, se necessário fosse, também os inventavam para não se manterem calados. Haviam aqueles inquietos, repetidamente davam ordens, sempre limpando algo ou alguém. Reclamavam do cansaço da semana mas nunca paravam para o merecido descanso. Talvez se descansassem não teriam do que reclamar e estariam novamente insatisfeitos. E assim na alegria extravasada de um copo de cerveja aproveitavam o domingo.
Sentada no chão, alisando uma filhote, ouvi de uma parente um tanto próxima algo que me intrigou. Na idade em que me apresentava nada significou, apenas o fato de ouvir pela primeira vez uma palavra que soava engraçado.
No meio de uma discussão de família um tanto polémica saiu uma frase que guardei até o dia em que pude intende-las, ou melhor, questiona-las. Guardei as palavras com carinho que saíram dos lábios de alguém que leva meus últimos nomes. Juntamente com o leve cheiro de álcool que senti, ouvi "Meus dois maiores ídolos foram homossexuais".
Não me lembro o contexto em que se encaixava a frase, consequentemente não sei o que se referia. Poderia quem sabe ser uma justificativa, onde alguém questionava uma opção sexual e em defesa foi apresentado seu talento. Como se não tivesse para eles problema ser homossexual já que eram talentosos. Ou talvez o problema foi a homossexualidade, e nem mesmo o talento os compensou como ser humano dentro de uma moral criada pela sociedade. Pior seria se fosse para afirmar que a atração pelo mesmo sexo não atrapalharia uma pessoa à ser talentosa. Quem sabe a crença, a vontade e o desejo de um individuo não os torna diferentes, podendo assim como outro qualquer chegar a glória, ser admirado e realizado.
Cabe a nós acreditar então, que Deus, para compensar a doença que nestes cresceu como uma anomalia humana que é o homossexualismo, deu-lhes talento.

Eu sinceramente, espero que não acreditemos.Cássia Rejane Eller (1962-2001)
Renato Manfredini Júnior"Russo" (1960-1996)
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
agora estudante
Encher-me a cabeça de ventos densos atrás de um propósito,
Obrigatório para aqueles que pretendem construir algo.
E acabar por descobrir o que sempre foi mascarado, maquiado ou simplesmente não teve atenção já que há grifes mais importantes.
Há tanto a ser descoberto, que passa a ser incerto tomar uma decisão.
Mas não existe maneira de ser evitado,
Talvez se não considerar uma atitude eterna,
e sim se quiser algo efêmero.
Mais fácil tornaria minha jornada,
No entanto nunca deixarei de ser, o que sou até então.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Mensagens
Chega um certo dia em que os velhos amigos acabam por serem esquecidos..
as lembranças se tornam vagas..
as brincadeiras perdem sentido.. a saudade ja machuca intensamente.. Mas o so doi o coração de quem sente;..
De quem gosta e sente falta..
A melhor solução seria deixar de lado e seguir em frente..?
Ir atras? Mas de novo? quantas vezes?
um telefonema não resolveria o problema?
Talvez.
Mas pra quem se acostuma com o carinho, a compania, a amizade, a franquesa, as brigas, os puchoes de orelha, os concelhos...
Não.. um simples telefona nao resolveria o problema nunca..
estamos falando aqui de presença.. de um abraço.. de carinho de AMIGO.. de olhar nos olhos e falar "como eu sinto a sua falta"
Vai seguindo o tempo (logo ele nao para), e a gente vai se acostumando com a ausencia..
e ruim vc olhar no orkut.. ver a pessoa online e ela nao deixar um recado..
é ruim deixar um recado e a pessoa nao responder...
é ruim saber que vc tentou ligar e ela nao atende o telefone.. e quando e resindencial ela nunca esta.. ;/
é pessimo vc mandar um depo pra pessoa e ela nao responder ao ponto de sei la.. ignorar...
o que esta acontecendo?
o problema e comigo.?
eu fiz alguma coisa?
jas aqui um pouquinho de minha carencia..
ate ;/
Eu te amo.. VIDA.
Ela:
Me vejo agora um tanto meláncolica por receber tal mensagem, ela nunca vai deixar de ser real. Tenho rastros, diria que estradas de culpa nessa situação.
Porém, não vou deixar de ser sincera e dizer-lhe que me vejo também alegre. Poder sentir que assim como eu, você sente falta no nosso laço de afeto. Que como eu, sentiu falta da companhia de todos os momentos, das confissões, brincadeiras e simples presença.
Não é de hoje que percebi nossa distancia, mas o acomodamento e falta de tempo, mesmo pra mim que não sou nada e nem faço nada, tomou-me.
Saiba que se foram realmente amigos, estes não serão esquecidos. Não é esquecido.
Por favor não pense que está correndo atrás de algo que foi perdido porque nunca foi. E eu não ousaria dizer que tenho algum problema com você por que foi com você que eu resolvi todos os meus problemas, foi você que me ouviu, me aconselhou sem sequer nunca me julgar.
Me desculpa pela ignoração, não foi o que aconteceu, foi simples desleixo.
O que podíamos julgar pior, o desleixo que se torna maior com tempo se não percebido. Obrigado por me acordar. Eu precisava de uma bronca.
falar "como sinto sua falta." resolveria o problema?
uma porção de declarações no famoso site de relacionamento?
uma ligação telefónica? e se eu acrescentasse um feliz aniversário ?
presentes? cartas e mensagens?
talvez sim, talvez não. Talvez mais ou menos.
Eu diria que é até mais simples. AMIZADE, amor, naturalidade.
Perdoe me a escrita formal, queria realmente ocupar uma parte do meu tempo e intelectualidade para escrever-lhe.
jaz aqui um pouco de meus sentimentos.
Eu te amo ... Vida
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Aplausos

Não ousaria contar quantos eram
Nem sequer encara-los
Só de ali estarem por um único motivo
Mesmo não sendo verdadeiramente eu
Já muito me valia.
Sentia a luz quente em meu rosto
O calor da presença de tantos
O estômago revirando e as pernas balançando
A pressão de meus maiores
E a solidão de estar no meio de um palco.
Independente do meu pavor
Era notável o agrado de ali estar
De enfim aparecer
De ser notada, percebida
De receber uma atenção.
Via a expectativa em seus olhos
Viam o desespero nos meus
Mas diante deles, lá estava eu
Para fazer o que tanto queria mostrar
Na esperança de agradar, e deles ter ali uma resposta.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Reflexo
Andava devagar arrastando suas chinelas encardidas pela calçada. Não estava longe do salão, já do lado da padaria passara pelo bar da esquina - que mesmo com as luzes do sol incidindo na mesa quebrada de sinuca estava cheio - e avistava a parede vermelha do açougue.
Cruzou a porta de ferro enquanto lia no letreiro “Elyzete”. O cheiro de carne a incomodava, mas não tinha escolhas, era o que podia pagar.
Apesar de pequeno o salão lembrava uma feira com diversas vozes vindo de todas as partes, o secador disputava espaço com o locutor de radio que anunciava alguma promoção.
Passou a mão no cabelo crespo e molhado, sentou-se na cadeira com o estofado rasgado que Elyzete indicava. Em sua frente viu uma mulher de aparência velha e cansada com algumas rugas na pele escura. Tirou os olhos do espelho ao sentir o ar quente do secador no couro cabeludo.
Foi quando em um movimento rápido a cadeira girou, e de costas para a penteadeira viu todo o salão. Agora extenso e perfumado, nas prateleiras diversos modelos de pente e tubos com líquidos coloridos. Ouvia uma música agitada e o som dos saltos que driblavam as inúmeras poltronas, cada qual com uma mulher jovem de pele clara e unhas coloridas.
Perplexa levantou-se e sentiu-se mais alta, sua bermuda e camiseta haviam sido substituídas por um vestido curto e acompanhado de jóias no pescoço e punhos. Virou-se e viu sua imagem jovem e loira, seus dentes claros e
Uma moça de aparência simpática entregou-lhe uma bolsa e apontou a saída. Mexeu na bola e sentiu algo gelado em meio a tantos objetos. Balançando um molho de chaves deslizou em direção a porta já olhando fixo em um automóvel vermelho. Estava irreconhecível. Confiante, radiante e orgulhosa abriu a porta do carro quando ouviu:
- Maria! È melhor levar uma sacola, acho que vai chover.
Viu suas mãos calejadas pegando a sacola plástica de Elyzete. O cheiro de carne invadiu-lhe as narinas e sentiu seus cabelos agora lisos e secos entre os dedos.
Arrastou devagar as chinelas sem direção ao bar da esquina quando viu na vitrine da padaria o reflexo real da Maria do Carmo Trindade da Silva.